Inspirações e Transmutações – O caminho de volta para casa.

Uma das minhas maiores inspirações para o trabalho com pessoas é Carl Rogers. Considerado o pai da Psicologia Humanista ele me aponta os caminhos para uma abordagem amorosa e centrada na pessoa.

Cada vez que retomo a leitura de suas obras descubro partes que me parecem novas e então percebo que novo é o meu olhar, que se transmuta e se transforma conforme o tempo passa e me permito aprender a cada encontro com pessoas.

Se eu posso criar uma relação caracterizada da minha parte:

por uma autenticidade e transparência, em que sou meus sentimentos reais;
por uma aceitação afetuosa e apreço pela outra pessoa como um indivíduo separado;
por uma capacidade sensível de ver o mundo e a ele como ele os vê;

Então o outro indivíduo na relação:

experienciará e compreenderá aspectos de si mesmo que havia anteriormente reprimido;
dar-se-á conta de que está se tornando mais integrado, mais apto a funcionar efetivamente;
tornar-se-á mais semelhante à pessoa que gostaria de ser;
será mais autodiretivo e autoconfiante;
realizar-se-á mais enquanto pessoa, sendo mais único e expressivo;
será mais compreensivo, mais aceitador com relação aos outros;
estará mais apto a enfrentar os problemas da vida adequadamente e de forma mais tranquila.
Carl Rogers, p. 43.

Os encontros entre pessoas são extremamente poderosos e grandes instrumentos de cura ou de destruição. Nos afetamos todos os dias por encontros e respondemos internamente e externamente à eles. Percebo que conforme o tempo passa e minha transformação interna toma forma, a qualidade de meus encontros muda, sai da superficialidade e permite que verdadeiros encontros aconteçam.

Em supervisão aprendi que “quem eu sou é como eu trabalho” e ao tomar conta dessa dimensão integrada me permito cuidar cada vez mais de mim, sabendo que sistemicamente esse será o maior impacto que minha contribuição pode ter, e assim sigo, cuidando de mim, aprendendo a cada dia e servindo ao mundo.

WHO we are and HOW we hold ourselves as we work is the key we hold – or withhold – to facilitating learning and transformation in others.

QUEM somos e COMO nos mantemos enquanto trabalhamos é a chave que possuímos – ou não – para facilitar o aprendizado e a transformação nos outros.

(Elaine Patterson – Reflect to Create)

Entendo o convite de Rogers como um estímulo a ajudar a despertar em mim mesma e nos outros o dom que todos temos de saber de nós mesmos, sermos capazes de sustentar a vida, de nos curar e de seguir o fluxo de um lugar inteiro, maduro, que acolhe os ciclos e aprende a se cuidar em tempos de tempestade e se regenerar e desfrutar quando diante dos bons ventos.

AHO – que assim seja!

Abraço forte e bons encontros 🙂

PS: Essa foto diz de um espaço coletivo, em roda, feito para encontros e conversas entre pares, assim é quando estamos em roda! Quase me passa desapercebida, gratidão ao amigo José que me chamou atenção à esse lindo banco 🙂


Referências

Carl Rogers. Tornar-se Pessoa. Martins Fontes, São Paulo, 2018.

Elaine Patterson. Reflect to Create. The Dance of Reflection for Creative Leadership, Professional Practice and Supervision. IngramSpark, London, 2019

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